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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Trabalho


Em Física, trabalho (normalmente representado por W, do inglês work, ou pela letra grega tau) é uma medida da energia transferida pela aplicação de uma força ao longo de um deslocamento.

O trabalho de uma força F aplicada ao longo de um caminho C pode ser calculada de forma geral através da seguinte integral de linha:

Trabalho também pode ser: É uma grandeza física que foi criada para medir uma energia

 \operatorname{W} _{c} = \int_{c} \mathbf{F}\cdot d\mathbf{r}
onde:
F é o vetor força.
r é o vetor posição ou deslocamento.

O trabalho é um número real, que pode ser positivo ou negativo. Quando a força atua no sentido do deslocamento, o trabalho é positivo, isto é, existe energia sendo acrescentada ao corpo ou sistema. O contrário também é verdadeiro, uma força no sentido oposto ao deslocamento retira energia do corpo ou sistema. Qual tipo de energia, se energia cinética ou energia potencial, depende do sistema em consideração.

Como mostra a equação acima, a existência de uma força não é sinônimo de realização de trabalho. Para que tal aconteça, é necessário que haja deslocamento do ponto de aplicação da força e que haja uma componente não nula da força na direção do deslocamento. É por esta razão que aparece um produto interno entre F e r. Por exemplo, um corpo em movimento circular uniforme (velocidade angular constante) está sujeito a uma força centrípeta. No entanto, esta força não realiza trabalho, visto que é perpendicular à trajetória.

Portanto há duas condições para que uma força realize trabalho:

a) Que haja deslocamento; b) Que haja força ou componente da força na direção do deslocamento.

Esta definição é válida para qualquer tipo de força independentemente da sua origem. Assim, pode tratar-se de uma força de atrito, gravitacional, elétrica, magnética, etc.

Os Princípios

Os princípios do conceito de trabalho remontam às equações de Galileu do movimento retilíneo uniformemente variado (MRUV). Temos que o deslocamento Δs (positivo para uma direção da reta e negativo para a outra) equivale a

\Delta s = \frac {v^2 - v_0^2}{2a}

O que nos dá uma relação entre o deslocamento e a mudança de velocidade (v é a velocidade correspondente ao final do deslocamento e v0 é a velocidade correspondente ao seu início).

Essa equação é o primeiro passo para um tratamento da mecânica que seja independente do tempo envolvido. Mas ainda há nela um fator que remete ao tempo: a aceleração. De forma qualitativa, essa equação nos diz que, quando maior foi o módulo da aceleração que levou o corpo da velocidade v0 à velocidade v, menor é o espaço percorrido durante essa transformação. De modo simples: se a mudança de velocidades demorou mais, então sobrou mais tempo para que o corpo se movesse enquanto isso. Para eliminar esse fator que é tão dependente da maneira como se deu a mudança de velocidades (o que é contraditório com um tratamento atemporal), devemos multiplicar ambos os lados da equação por a e passar a pensar em aΔs como uma entidade única, relacionada apenas com a variação absoluta do quadrado da velocidade dividido por dois:

a \Delta s = \frac {v^2}{2} - \frac {v_0^2}{2}

Independentemente de como foi realizada a transformação, o \frac {v^2}{2} - \frac {v_0^2}{2} será sempre igual à entidade aΔs, de modo que finalmente temos um tratamento atemporal no movimento uniformemente variado.

Entretanto, queremos estender isso ao movimento geral. Para isso, primeiro temos que estabelecer uma relação entre o movimento retilíneo e o movimento curvo, a fim de estender nossos conceitos de um para o outro. Para fazer isso, lembramos as relações entre os vetores velocidade, posição e aceleração: a aceleração é a derivada temporal da velocidade e a velocidade é a derivada temporal da posição. Agora pensemos em qualquer "deslocamento infinitesimal" d \vec r. Temos que:

d\vec r = \frac {d \vec r}{dt} . dt = \vec v dt

Ou seja, qualquer deslocamento infinitesimal se dá na direção da velocidade instantânea (desde que a posição seja descrita por uma função vetorial continua). Como a direção da velocidade instantânea é uma só, então cada deslocamento infinitesimal é retilíneo.

Agora, devemos descobrir o quanto a nossa entidade \frac {v^2}{2} - \frac {v_0^2}{2} muda nesse intervalo infinitesimal de tempo em que os deslocamentos são retilíneos. Para isso, derivamos a entidade em relação ao tempo:

\frac {d}{dt} \left[ \frac {v^2}{2} - \frac {v_0^2}{2} \right] = v\frac {dv}{dt}

Note que a derivada \frac {dv}{dt} NÃO corresponde ao vetor aceleração, como mostraremos logo.

Antes disso, voltemos por um instante à nossa entidade a \Delta s = \frac {v^2}{2} - \frac {v_0^2}{2} (que só é válida para o MRUV). Claramente, se considerarmos o deslocamento como sendo sempre positivo, então uma aceleração negativa (no sentido oposto ao do movimento) implica uma diminuição da magnitude da velocidade, enquanto uma aceleração positiva (no mesmo sentido do movimento) aumenta a magnitude da velocidade.

E quanto a uma aceleração que não se dá na mesma direção do deslocamento? Vejamos a seguinte relação:

 \vec v = v \hat v

Onde v é a magnitude da velocidade e \hat v é o vetor unitário que indica a direção da velocidade. Sendo assim, para obter a aceleração derivamos a expressão v \hat v, usando a regra da cadeia:

 \vec a = \frac {dv}{dt} \hat v + v \frac {d \hat v}{dt}

Onde vemos que um componente da aceleração (na mesma direção da velocidade), muda a magnitude da velocidade (\frac {dv}{dt} \hat v), enquanto o outro componente muda apenas a direção da velocidade (v \frac {d \hat v}{dt}, lembrando que a derivada de um vetor unitário é sempre na direção perpendicular a esse vetor unitário). Ou seja, como destacamos acima, a derivada \frac {dv}{dt} corresponde a apenas um componente da aceleração: o componente que se dá na direção da velocidade.

Esse componente equivale a:

\frac {dv}{dt} = \frac {\vec a \cdot \vec v}{v}

Note que, quando esse produto escalar é negativo, é porque a componente da aceleração que está na direção do deslocamento está no sentido oposto a ele. Isso implica uma diminuição da magnitude da velocidade, em concordância com a situação encontrada no MRUV.

Agora, a mudança infinitesimal na nossa entidade \frac {v^2}{2} - \frac {v_0^2}{2} fica:

\frac {d}{dt} \left[ \frac {v^2}{2} - \frac {v_0^2}{2} \right] = v\frac {dv}{dt} = \vec a \cdot \vec v

Mas queremos saber essa mudança em um intervalo de tempo qualquer. Então integramos com relação ao tempo:

\frac {v^2}{2} - \frac {v_0^2}{2} = \int \vec a \cdot \vec v dt

Finalmente achamos a nossa entidade. No entanto, em analogia ao que aconteceu no MRUV, o que temos aqui é uma integral dependente do tempo, o que não condiz com o que estamos buscando desde o início: um tratamento atemporal. Assim, fazemos simplesmente:

\int \vec a \cdot \vec v dt = \int \vec a \cdot \frac {d\vec r}{dt} dt

O que constitui uma integral de linha:

\int_C \vec a \cdot d \vec r = \frac {v^2}{2} - \frac {v_0^2}{2}

Com os limites de integração, obviamente, correspondendo aos pontos inicial e final da trajetória.

Nosso *trabalho* está quase pronto. Só precisamos multiplicar essa entidade que encontramos pela massa. Isso tem inúmeras vantagens, mas aqui daremos apenas uma razão conceitual: a aceleração é um conceito secundário em comparação com a importância da força. Trocar, na equação acima, a aceleração pela força quer dizer trazer essa entidade para mais perto do mundo físico. Isso também se deve à ligação do trabalho com o conceito de energia, que é uma quantidade que se conserva, e que está ligada à massa.

 \int_C m \vec a \cdot d\vec r = \int_C \vec F \cdot d\vec r

Assim, temos, finalmente, o trabalho TOTAL sobre uma partícula:

W = \int_C \vec F \cdot d\vec r

Onde \vec F é a força resultante. O trabalho realizado por uma outra força qualquer é análogo, trocando-se a força total pela força qualquer. Note que a componente do trabalho de uma força qualquer que contribui para a componente força resultante na direção do deslocamento é, justamente, o produto escalar entre a força qualquer e a direção do deslocamento, o que justifica essa similaridade.

Um comentário:

  1. MEU DEUSSS! que BLOG LINDOOO! adorei a ideia de colocar o cálculo na Física! muito legal!

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